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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Estação Liberdade lançará romance coreano "Sukiyaki de Domingo"


Acabei de ver no Facebook, na página da editora Estação Liberdade, que a editora paulista lançará o romance coreano "Sukiyaki de Domingo", da escritora Bae Su-ah. É o primeiro título coreano da Estação Liberdade, conhecida principalmente por lançar obras de autores japoneses renomados, como Yasunari Kawabata, Nagai Kafu e Eiji Yoshikawa.



É uma grande surpresa, visto que quase não há títulos coreanos lançados por editoras brasileiras. Os pouquíssimos livros existentes são algumas coletâneas de contos e o livro "Por favor, cuide de mamãe", de Kyung-Sook Shin, publicado em 2012 pela Intrínseca.

Sobre o livro


Sukiyaki de domingo 
Tradução de Hyo Jeong Sung 
14 x 21 cm
304 páginas 
ISBN: 978-85-7448-242-2 
R$ 44,00


Poder degustar o sukiyaki de domingo significa para o ex-professor Ma
um revival de seus tempos de fartura. A falta de dinheiro é uma
constante, de modo que a esposa vive explodindo em recorrentes crises
histéricas. Como ele não é um especial entusiasta da arte de
trabalhar, sempre sobra para a mulher a missão de trazer dinheiro
para casa, o que não deixa de ser uma crítica da autora do livro,
Bae Su-ah, quanto à fragilidade da figura masculina no contexto
social da Coreia do Sul contemporânea. 


O Sukiyaki de domingo funciona, portanto, como uma metáfora
daquilo que os personagens desta obra almejam, um ideal de consumo, a
materialização das (parcas) ambições que os movem. Porque Sukiyaki
de domingo, o livro, trata de uma Coreia do Sul bem destoante da
portentosa imagem de Tigre Asiático consagrada no imaginário
ocidental: a de suas periferias, tão semelhantes às de quaisquer
paragens terceiro-mundistas, e seus efeitos intrínsecos, sobretudo a
dificuldade de comunicação, e de afeto, nas relações sociais e
familiares, e as fagulhas dessa incomunicabilidade sempre a alimentar
uma fogueira de violência. 


Romance de forte crítica social, Sukiyaki de domingo se estrutura a
partir de capítulos nomeados, que também podem ser lidos como
contos, já que encerram pequenos dramas e histórias. A autora optou
por uma série de personagens que parecem tirados de uma mesma
comunidade, dos quais alguns reaparecem, ou se cruzam, em mais de um
capítulo. A pobreza parece potencializar as idiossincrasias de cada
um deles: além do professor que saliva com o sukiyaki, nos
desconcertamos com a mulher que esconde suas economias numa mala de
meias sujas; com o jovem que imagina ter tirado a sorte grande ao
conseguir um 窶彙ico窶・para ajudar numa mudança; ou ainda com um
mendigo que quer ser aceito pela sociedade por querer sobreviver
somente com os restos de comida que as pessoas descartam. 


Embora originalmente japonesa, sukiyaki é uma iguaria também
consumida na Coreia, bastante semelhante a outra iguaria local
chamada shabu-shabu. Embora os restaurantes que servem este prato
sejam populares no país, os de sukiyaki, por sua vez, são bem mais
raros. Segundo a própria autora, sukiyaki é um nome que soa familiar
aos coreanos, mas poucos deles sabem exatamente do que se trata. A
ideia de evocar um elemento japonês no título de um livro
sul-coreano tem, portanto, a premissa de causar mesmo estranhamento,
como a denotar algo fora do lugar, simbolizando em certa medida o
desequilíbrio generalizado que a falta de dinheiro gera sobre a
realidade dos personagens.


Romance de estrutura fragmentária, Sukiyaki de domingo é a primeira
incursão da Estação Liberdade na literatura sul-coreana, marcando
assim a ampliação da atuação da editora no mundo das letras
orientais. 


A AUTORA

Nascida em 1965, Bae Su-ah é graduada em química pela Ewha Womans
University, de Seul, mas sempre teve por hテ。bito escrever histórias
por hobby, até debutar como escritora com a obra Chongubek palship
palnyon-ui odu-un bang (Um quarto escuro, 1988). Na sequência,
publicou Purun saguaga itnun gukdo (Estrada com maçãs verdes) e
Rhapsody in Blue (Rapsódia em azul), ambos em 1995. Desde 2001, ela
reside na Alemanha, onde segue produzindo sua ficção inventiva e
pouco convencional, caracterizada pelo aprofundamento psicológico de
seus personagens. Entre seus livros mais recentes estão Buktchok
gosil (Sala norte, 2009) e Seoul-ui najun undok-dul (Colinas baixas em
Seul, 2011). Sukiyaki de domingo, originalmente publicado em 2003, é
seu primeiro título traduzido em português.



domingo, 23 de setembro de 2012

Resenha: Por favor, cuide da mamãe





Por favor, cuide da mamãe
Kyung-Sook Shin
Editora Intrínseca
240 páginas

Tradução de Flávia Rössler


"Por favor, cuide da mamãe" é um livro tocante e triste escrito pela sul-coreana Kyung-Sook Shin, autora bem-sucedida em seu país. Tendo vendido mais de um milhão de exemplares em mais de 20 países, o título foi trazido ao Brasil pela editora Intrínseca, que vem surpreendendo o mercado editorial brasileiro com um catálogo crescente, recheado de best sellers e livros para o público jovem.

O livro de Kyung-Sook Shin gira em torno do desaparecimento de Park So-Nyo, a figura materna do título, que rumava com seu marido à casa do filho mais velho em Seul. Como era de costume, So-Nyo e o marido comemoravam seus aniversários na mesma época. Depois que os filhos saíram de casa e deixaram de visitá-los no interior da Coreia do Sul, os pais iam frequentemente à capital comemorar a ocasião com a família. Os meios mais usuais para chegar à casa de Hyong-Chol, o primogênito, eram a carona no carro de algum parente ou algum táxi.

Entretanto, na última viagem que fizeram juntos, Park So-Nyo e o marido decidiram pegar o metrô, diferente do que sempre faziam. O pai sempre caminhava na frente, enquanto a mãe o seguia com seus passos lentos. Com problemas de saúde, idosa e cansada, a mãe So-Nyo não conseguiu acompanhar o marido na ida a um dos vagões do metrô, ficando perdida em meio à multidão, sem qualquer bagagem ou mantimento. A partir daí, começa a saga da família em tentar trazer a mãe de volta ao lar.

O livro divide-se em cinco capítulos, sendo que em quatro deles é possível conhecer melhor a figura de Park So-Nyo a partir das figuras da terceira filha, do primogênito, do pai e da própria mãe desaparecida. Por meio desses quatro capítulos, sabe-se que a mãe tinha facetas desconhecidas pelo restante da família, e que muitos de seus defeitos e virtudes só foram reconhecidos com seu desaparecimento. O esforço de So-Nyo em criar os filhos e lidar com um marido insensível enquanto desistia de seus próprios desejos emerge nas páginas, acompanhado de outros fatos que a família foi descobrindo a partir do momento em que se inicia a busca. Ao longo do livro, percebe-se o agravamento da saúde da mãe, vítima de um derrame que provavelmente teria colaborado para seu desaparecimento no metrô de Seul.

A escrita do livro é um tanto diferente do que estou acostumada a ler. O capítulo em que os familiares relembram de So-Nyo não são em primeira pessoa, mas em segunda, sempre com o uso do "você". É como se a cada capítulo o leitor se colocasse na pele de um dos familiares, pensasse como cada um deles. Um recurso interessante para sentir um pouco do arrependimento e do remorso que os filhos e o marido sentem quando relembram do que passaram ao lado de So-Nyo. É aquela história em que só damos valor para as coisas e as pessoas quando as perdemos. Triste, mas é verdade.

No capítulo voltado a So-Nyo, no entanto, a narração em segunda pessoa dá lugar à primeira. É a mente da mãe pensando e falando com cada familiar e amigo empenhado em sua busca. Bem, é melhor eu parar por aqui... 

"Por favor, cuide da mamãe" não é o tipo de livro que me prende e me faz perder a noção das horas, mas não deixou de ser uma leitura interessante e sensível, triste em muitas passagens - principalmente por focar no sofrimento da mãe. Dá pra ter uma noção do contraste entre a situação de pobreza em que a família de So-Nyo vivia no interior, e a ascensão social dos filhos numa Coreia do Sul que vai enriquecendo e sendo tomada por prédios modernos. Ascensão que deve muito ao sacrifício da mãe, que colocou seus sonhos em segundo plano para dar uma condição melhor aos seus descendentes.

Astral do livro:






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