terça-feira, 19 de agosto de 2014

Resenha: Quinquilharias Nakano




Quinquilharias Nakano
Hiromi Kawakami
Estação Liberdade
284 páginas
Tradução de Jefferson José Teixeira

Um livro leve e engraçado sobre o cotidiano e os dramas pessoais dos funcionários de uma loja de quinquilharias usadas: é assim que descrevo o livro Quinquilharias Nakano, primeiro título da autora Hiromi Kawakami trazido ao Brasil pela editora Estação Liberdade. Sem um enredo fechado, este livro mostra as situações banais envolvendo os personagens Haruo e Masayo Nakano, Takeo Kiryu e Hitomi Suganuma, às voltas com relacionamentos amorosos e clientes bizarros.

Haruo Nakano é o patrão e dono da Quinquilharias Nakano, uma loja que é equivalente ao que conhecemos como pregão ou brechó (não chame de antiquário, pois o patrão não gosta). Nela, vende-se um pouco de tudo: roupas, artigos decorativos, móveis, eletrodomésticos, objetos de arte. A maioria desses produtos têm origem em "retiradas" que o senhor Nakano faz em casas de famílias que estão de mudança ou que estão se desfazendo de bens que foram de pessoas falecidas. A irmã mais nova do senhor Nakano, Masayo, é uma artista de meia idade que está em um relacionamento complicado, mas não perde tempo em implicar com a vida amorosa do irmão.

Hitomi, a protagonista e narradora do livro, é uma jovem que trabalha como caixa na loja do senhor Nakano. É ela quem tem de aguentar as pérolas do patrão, que a faz também de detetive apenas para ficar de olho em Masayo. Com sentimentos mistos de raiva e amor em relação a Takeo, seu colega de trabalho, Hitomi passa quase o livro inteiro às turras com o rapaz, não sabendo definir o que se passa entre eles. Takeo, o crush de Hitomi, é um funcionário calado, que ajuda o senhor Nakano nas retiradas, fazendo um pouco de tudo dentro da loja. O livro mostra o impasse no relacionamento dos dois jovens funcionários, com Hitomi investindo mais em Takeo, e este sem saber o que fazer.

Além dos funcionários da loja e dos irmãos Nakano, há personagens estranhos e não menos curiosos, como a amante de Nakano, Sakiko, ela também atuante no ramo de objetos usados; Tadokoro, o velhinho safado que tenta vender fotos eróticas; Tokizo, conhecido como Garça, responsável por introduzir o sr. Nakano no mundo dos leilões virtuais; e Maruyama, o amante de Masayo que tem problemas com os proprietários do prédio onde mora. Há clientes interessantes que geram situações engraçadas para a loja do sr. Nakano, responsável por avaliar o preço de cada produto oferecido a ele.

Dessa mistureba de personagens estranhos, surge um excelente livro que versa sobre solidão, relacionamentos complexos e uma certa dificuldade de comunicação. Durante todo o livro, os diálogos passam por comentários meio sem sentido, muitas expressões de espanto e desatenção (ahn?, ah!, como?), e algumas conversas não vão pra frente. Interessante notar como a autora coloca os diálogos: enquanto um personagem conversa com outro, uma conversa tida anteriormente é trazida à tona na cabeça de Hitomi, misturando os tempos. Não sei como se chama esse tipo de recurso (se é que tem um nome), mas o que posso dizer é que o resultado ficou muito bom e diferente do que estou acostumada a ler. 

Por fim, o que tenho a dizer é: leiam este livro! Eu já estou com "A Valise do Professor", também da Kawakami, na fila de leituras, e a expectativa em relação a ele é enorme. ;)

Astral do livro:


Avaliação:







domingo, 17 de agosto de 2014

Mais um livro de Murakami no Brasil


A editora Alfaguara anunciou, em sua página oficial no Facebook, o lançamento do mais recente livro de Haruki Murakami, O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação,  para novembro. Lançado no Japão em abril de 2013, O Incolor Tsukuru Tazaki...  vendeu mais de 1 milhão de cópias no primeiro mês de vendas, seguindo a trajetória de sucesso dos outros títulos do autor.

Sobre o enredo
Tsukuru Tazaki, o personagem do título, é um rapaz de Nagoya que tem quatro amigos, sendo que cada um deles possui, no sobrenome, um ideograma relacionado a uma cor (vermelho, azul, preto e branco). Tazaki é o único que não se relaciona a cor alguma, o que explica o incolor do título. Na faculdade, todos os quatro amigos inexplicavelmente cortam relações com o protagonista, que é obrigado a ficar no ostracismo.

Em 2011, já com 36 anos, Tazaki parte em busca dos quatro amigos do passado, visitando-os um a um, apenas para saber os motivos do rompimento brusco que deixaram o protagonista isolado.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Estação Liberdade lançará romance coreano "Sukiyaki de Domingo"


Acabei de ver no Facebook, na página da editora Estação Liberdade, que a editora paulista lançará o romance coreano "Sukiyaki de Domingo", da escritora Bae Su-ah. É o primeiro título coreano da Estação Liberdade, conhecida principalmente por lançar obras de autores japoneses renomados, como Yasunari Kawabata, Nagai Kafu e Eiji Yoshikawa.



É uma grande surpresa, visto que quase não há títulos coreanos lançados por editoras brasileiras. Os pouquíssimos livros existentes são algumas coletâneas de contos e o livro "Por favor, cuide de mamãe", de Kyung-Sook Shin, publicado em 2012 pela Intrínseca.

Sobre o livro


Sukiyaki de domingo 
Tradução de Hyo Jeong Sung 
14 x 21 cm
304 páginas 
ISBN: 978-85-7448-242-2 
R$ 44,00


Poder degustar o sukiyaki de domingo significa para o ex-professor Ma
um revival de seus tempos de fartura. A falta de dinheiro é uma
constante, de modo que a esposa vive explodindo em recorrentes crises
histéricas. Como ele não é um especial entusiasta da arte de
trabalhar, sempre sobra para a mulher a missão de trazer dinheiro
para casa, o que não deixa de ser uma crítica da autora do livro,
Bae Su-ah, quanto à fragilidade da figura masculina no contexto
social da Coreia do Sul contemporânea. 


O Sukiyaki de domingo funciona, portanto, como uma metáfora
daquilo que os personagens desta obra almejam, um ideal de consumo, a
materialização das (parcas) ambições que os movem. Porque Sukiyaki
de domingo, o livro, trata de uma Coreia do Sul bem destoante da
portentosa imagem de Tigre Asiático consagrada no imaginário
ocidental: a de suas periferias, tão semelhantes às de quaisquer
paragens terceiro-mundistas, e seus efeitos intrínsecos, sobretudo a
dificuldade de comunicação, e de afeto, nas relações sociais e
familiares, e as fagulhas dessa incomunicabilidade sempre a alimentar
uma fogueira de violência. 


Romance de forte crítica social, Sukiyaki de domingo se estrutura a
partir de capítulos nomeados, que também podem ser lidos como
contos, já que encerram pequenos dramas e histórias. A autora optou
por uma série de personagens que parecem tirados de uma mesma
comunidade, dos quais alguns reaparecem, ou se cruzam, em mais de um
capítulo. A pobreza parece potencializar as idiossincrasias de cada
um deles: além do professor que saliva com o sukiyaki, nos
desconcertamos com a mulher que esconde suas economias numa mala de
meias sujas; com o jovem que imagina ter tirado a sorte grande ao
conseguir um 窶彙ico窶・para ajudar numa mudança; ou ainda com um
mendigo que quer ser aceito pela sociedade por querer sobreviver
somente com os restos de comida que as pessoas descartam. 


Embora originalmente japonesa, sukiyaki é uma iguaria também
consumida na Coreia, bastante semelhante a outra iguaria local
chamada shabu-shabu. Embora os restaurantes que servem este prato
sejam populares no país, os de sukiyaki, por sua vez, são bem mais
raros. Segundo a própria autora, sukiyaki é um nome que soa familiar
aos coreanos, mas poucos deles sabem exatamente do que se trata. A
ideia de evocar um elemento japonês no título de um livro
sul-coreano tem, portanto, a premissa de causar mesmo estranhamento,
como a denotar algo fora do lugar, simbolizando em certa medida o
desequilíbrio generalizado que a falta de dinheiro gera sobre a
realidade dos personagens.


Romance de estrutura fragmentária, Sukiyaki de domingo é a primeira
incursão da Estação Liberdade na literatura sul-coreana, marcando
assim a ampliação da atuação da editora no mundo das letras
orientais. 


A AUTORA

Nascida em 1965, Bae Su-ah é graduada em química pela Ewha Womans
University, de Seul, mas sempre teve por hテ。bito escrever histórias
por hobby, até debutar como escritora com a obra Chongubek palship
palnyon-ui odu-un bang (Um quarto escuro, 1988). Na sequência,
publicou Purun saguaga itnun gukdo (Estrada com maçãs verdes) e
Rhapsody in Blue (Rapsódia em azul), ambos em 1995. Desde 2001, ela
reside na Alemanha, onde segue produzindo sua ficção inventiva e
pouco convencional, caracterizada pelo aprofundamento psicológico de
seus personagens. Entre seus livros mais recentes estão Buktchok
gosil (Sala norte, 2009) e Seoul-ui najun undok-dul (Colinas baixas em
Seul, 2011). Sukiyaki de domingo, originalmente publicado em 2003, é
seu primeiro título traduzido em português.



quarta-feira, 30 de julho de 2014

Leia este mangá: Horimiya


Olá!

Anteriormente, este blog se chamava Leituras Orientais. Devido a algumas questões (um blog com nome muito parecido, retomada das postagens, reformulação do conteúdo), decidi mudar o nome para Oriente Literário. Se é uma boa escolha, eu não sei; só sei que ninguém ainda tinha registrado esse nome no Blogspot, então fui lá e mudei nas configurações.

Fiquei um bom tempo sem postar resenhas por aqui, por falta de tempo e até uma certa preguiça. Mas vou retomar as leituras pendentes e tentar postar, com uma certa frequência, resenhas e dicas sobre livros de autores orientais e mangás.

Como forma de reinaugurar este blog, vou indicar um mangá muito bom que venho acompanhando desde o ano passado. Chama-se Horimiya, junção dos sobrenomes dos protagonistas Kyoko Hori e Izumi Miyamura. Se vocês perceberem bem, são os dois personagens que estão na imagem de cabeçalho do blog! :)



É um mangá de comédia romântica e slice of life veiculado na antologia mensal GFantasy, da Square Enix. Muita gente acha que é um mangá shoujo, mas na realidade ele é um título shounen. Não tem pancadaria, lutas tipo Dragon Ball Z ou um enredo sobrenatural, típico das histórias dessa categoria, mas não deixa de ser um mangá excelente.

Horimiya gira em torno dos protagonistas já citados, Hori e Miyamura, duas pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Hori é popular no colégio, mas fora dele mantém um perfil discreto, assumindo o papel de dona de casa e cuidando de seu irmão mais novo, Souta. Miyamura é um rapaz solitário, estranho aos olhos dos outros colegas de sala, mas fora do ambiente escolar é um cara com aparência descolada, cool, com tatuagens e piercings. Tanto Hori quanto Miyamura escondem esses lados de seus colegas de escola, pois temem o preconceito vindo dos outros alunos.

Mesmo sendo da mesma turma, Hori e Miyamura quase não mantêm contato. Tudo muda quando Miyamura ajuda Souta, irmão de Hori, a voltar para casa depois do pequeno ter se machucado. Hori não reconhece imediatamente Miyamura, pois ele está bem diferente, com roupas mais estilosas, cabelo preso e lip chain. Hori só se dá conta de que está na frente de seu colega algum tempo depois, quando percebe que Miyamura a conhece da escola.

Miyamura, nas versões uniformizada e cool

Hori entra em desespero por um momento, já que Miyamura descobre como ela é fora da escola: sem maquiagem, dona de casa, babá... mas o problema é que ela não consegue mais se desvencilhar de Miyamura, pois Souta viu no rapaz a imagem de um irmão mais velho, um oni-chan que traz presentes legais e que é também uma companhia na hora de assistir aos animes. Lá vai o rapaz todo dia, direto da escola para a casa de Hori, onde ele faz as tarefas, assiste a TV, faz as refeições e até dorme.

Aos poucos, Hori e Miyamura vão se aproximar mais e mais, despertando o ciúme e a inveja de outras pessoas. Ao longo dos capítulos, veremos outros personagens engraçados que chegam até a interferir no relacionamento dos protagonistas. Miyamura, do qual pouco se sabe nos primeiros capítulos, terá um pouco do seu passado explicado em detalhes conforme a história avança. Felizmente, podemos ver que ele muda para melhor quando entra  no Ensino Médio e conhece Hori, deixando parte de seus momentos infelizes para trás.

Não mexe com ela! (e nem com ele!)

Horimiya foi originalmente criado como yonkoma (tirinhas cômicas de 4 quadros) para internet pelo mangaká Hero, que mantém até hoje a série Hori-san to Miyamura-kun em seu site pessoal, Doka Ahen. Foi em 2011 que a GFantasy, da Square Enix, transformou as tirinhas em série regular, desta vez com Daisuke Hagiwara como o desenhista e Hero como roteirista. Grande parte da história serializada na GFantasy engloba o que já foi publicado nas tirinhas, com algumas pequenas modificações.

A série ganhou também dois episódios animados, lançados para DVD, com a produção feita pelo estúdio Hoods Entertainment. Um terceiro episódio deverá ser lançado ainda este ano, desta vez pelo estúdio Marone, e há indícios de que haverá novos episódios com novo character design.

Infelizmente, Horimiya parece não ter despertado o interesse das editoras de mangás brasileiras. Será que estão esperando o mangá ser finalizado para, enfim, publicarem a série no Brasil? Espero que sim! Enquanto o título não é oficialmente publicado por aqui, podemos ler o mangá na internet mesmo.






terça-feira, 29 de julho de 2014

Livros sobre cultura japonesa (pop e tradicional)


Como não poderia deixar de ser, este blog também se aventura pelos livros que falam sobre a cultura japonesa, nas suas vertentes pop e tradicional. No Brasil há um bom número de publicações sobre vários assuntos relacionados ao Japão, como mangás, animes, estudos sobre cultura japonesa, livros sobre a imigração nipônica, entre outros. Ainda não chega aos pés do que é publicado em inglês, mas podemos dizer que estamos até razoavelmente bem no número e na variedade de títulos disponíveis nas livrarias.

(A lista será atualizada assim que outros títulos sejam encontrados ou indicados pelos leitores)


Sobre Mangás e Animes

Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses
Sonia Bibe Luyten
Editora Hedra

A presença do anime na TV brasileira
Sandra Monte
Editora Laços

Um Nerd no Japão
Héctor Garcia
Editora JBC

A Arte de Osamu Tezuka, o Deus do Mangá
Helen McCarthy
Editora Mythos

JAPOP: o poder da cultura japonesa
Cristiane A. Sato
Editora NSP Hakkosha

O Grande Livro dos Mangás
Alfons Moliné
Editora JBC

Almanaque da Cultura Pop Japonesa
Alexandre Nagado
Editora Via Lettera

Mangá: como o Japão reinventou os quadrinhos
Paul Gravett
Editora Conrad

Traços Ideogramáticos na Linguagem dos Animês
Patrícia M. Borges
Editora Via Lettera

Além dos olhos grandes
Ana Carolina Pereira
Publicação independente

Cultura Pop Japonesa - Mangá e Animê
Sonia Bibe Luyten (org)
Editora Hedra

Cultura japonesa em geral

Tokyogaqui - Um Japão Imaginado
Christine Greiner e Ricardo Muniz Fernandes (orgs)
Editora SESC

Imagens do Japão vol 1
Christine Greiner (org)
Editora Annablume

Imagens do Japão vol 2
Christine Greiner (org)
Editora Annablume

Hikkikomori - A vida enclausurada nas redes sociais
Christine Greiner e Cecília Noriko Ito Saito (orgs)
Editora Intermeios

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Nova edição de Caçando Carneiros, de Haruki Murakami, pela Alfaguara


Olá!

Faz MUITO tempo que eu não posto nada no blog (não consegui ler muitas coisas nesse tempo, estava super desmotivada e com preguiça), então para retomar o ritmo de postagens vou colocar essa notícia, que está já velhinha.

A editora Alfaguara, pertencente ao grupo editorial Objetiva, lançou no mês de julho a reedição de Caçando Carneiros, de Haruki Murakami. Este título já havia sido lançado no Brasil pela editora Estação Liberdade, sem muito alarde, e estava na lista de livros fora de catálogo. Pela antiga editora, Caçando Carneiros foi lançado em 2001, com a tradução feita diretamente do japonês por Leiko Gotoda.

Como atualmente detém os direitos de publicação de várias obras de Murakami, a Alfaguara acertou em cheio ao buscar esse título e recolocá-lo nas livrarias. A tradução ainda é de Leiko Gotoda, mas o visual está mais atraente, a começar pela capa. Compare a edição antiga com a atual.

 


Eu já tenho a edição da Estação Liberdade, mas decidi comprar a nova edição da Alfaguara, até para comparar melhor o trabalho das duas. Como o preço ainda não está muito "acessível" para meu bolso (42,90 reais), vou esperar o momento adequado (aka liquidações na net ou aniversário) para conseguir mais este exemplar. 


Lista de autores coreanos publicados no Brasil


Não são muitas as obras de ficção coreanas publicadas no Brasil, mas as que foram trazidas seguem na listagem abaixo.

Contos Coreanos
Diversos autores
Editora: GRD/Rio-Arte
Tradução: Luis Palmery
Lançado em:1985

Contos Contemporâneos Coreanos
Organização de Yun Jung Im
Editora: Landy

Kyung Sook Shin

Por favor, Cuide da mamãe
Editora: Intrínseca
Tradução: Flávia Rossler
Lançado em: 2012

Kim Young-ha

Flor Negra
Editora: Geração Editorial
Tradução: Ana Carolina Mesquita
Lançado em: 2014

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